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Lançado em 2016, ANTI completa dez anos como o álbum que mudou a trajetória de Rihanna, rompeu com o pop previsível e redefiniu sua liberdade.
Foto / Reprodução

Quando ANTI apareceu, em janeiro de 2016, nada nele parecia confortável. Nem para o mercado. Nem para quem esperava mais um álbum pop redondo de Rihanna. Dez anos depois, talvez seja exatamente por isso que ele continue tão vivo. ANTI não foi só um disco. Foi uma ruptura. Um gesto claro de independência artística.


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Até ali, Rihanna era sinônimo de hits certeiros, refrões gigantes, singles moldados para o rádio. Funcionava. Sempre funcionou. Mas ANTI surge como um desvio deliberado desse caminho. Um álbum menos interessado em agradar e muito mais focado em experimentar, errar, respirar. Um disco que soa íntimo, irregular, às vezes cru — e por isso mesmo tão humano.



Nada ali parecia feito para ser óbvio. As batidas são mais espaçadas, os vocais menos polidos, as letras mais abertas, muitas vezes ambíguas. Rihanna canta sobre desejo, vulnerabilidade, controle, solidão, prazer e cansaço. Tudo com menos explicação, menos sorriso pronto, menos personagem. Era ela. Sem manual.


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Faixas comoConsideration, Kiss It Better, Needed Me e Love on the Brain mostram uma artista confortável em ocupar zonas cinzentas. Não há pressa em entregar hits fáceis, embora eles existam. O álbum cresce no tempo, pede escuta atenta, pede convivência. Algo raro, especialmente naquele momento da indústria.



O impacto de ANTI vai além da música. Ele redefine a relação de Rihanna com sua própria carreira. Depois do álbum, ela não lança mais discos. Não por falta de demanda, mas por escolha. ANTI encerra um ciclo e abre outro, onde Rihanna passa a ditar seus próprios ritmos — seja na moda, na beleza ou nos negócios. O silêncio musical que veio depois também faz parte dessa narrativa.


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Dez anos depois, ANTI soa menos como um risco e mais como um marco inevitável. Um disco que antecipou discussões sobre autonomia artística, sobre a fadiga do pop industrial, sobre o direito de uma artista global simplesmente fazer o que quer. Sem pedir desculpa. Sem se explicar demais.


Foto / Reprodução

Talvez seja por isso que ANTI não envelheceu. Ele não pertence a uma tendência específica. Não tenta representar um momento exato do pop. Ele existe num lugar próprio. Um espaço onde Rihanna deixou claro que podia ser muitas coisas — inclusive imprevisível.


E, olhando agora, uma década depois, fica difícil imaginar sua trajetória sem esse ponto de virada. ANTI não só redefiniu a carreira de Rihanna. Redefiniu o que ela poderia ser a partir dali. E isso, dez anos depois, ainda ecoa.