Crédito / Divulgação

O Rio de Janeiro tem dessas coisas. Te abraça, te assusta, te seduz. E, às vezes, tudo isso no mesmo dia. É desse lugar instável — bonito e perigoso ao mesmo tempo — que nasce Linda e Perigosa, novo single de Dora Sanches. Uma canção que não pede licença para existir e tampouco tenta organizar o caos. Ela simplesmente acontece.


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A música surgiu depois de um episódio banal e brutal: o irmão da artista teve o carro roubado na porta de casa. Da conversa que veio depois, ainda quente, ainda atravessada por medo, ironia e cansaço, saiu a faísca criativa. Em estúdio, ao lado de MP Freire, Cley e Malize, Dora transformou aquele susto em crônica. Uma dessas que não romantizam demais, mas também não demonizam. Apenas observam.


“Linda e Perigosa” é um reggae leve, solar, quase sorridente — e isso não é contradição. Pelo contrário. A música entende bem a lógica carioca: rir no meio do colapso, dançar com um olho aberto, amar sem garantia. A base pop e urbana sustenta uma letra atenta, que parece escrita andando pela rua, olhando em volta, sentindo tudo ao mesmo tempo.



A faixa é o segundo lançamento do álbum de estreia Seda de Casulo, projeto que acompanha um processo de transformação pessoal e artística. Se antes Dora vinha de músicas mais introspectivas, aqui o movimento é outro. Mais externo. Mais cidade. Mais calor. Não por acaso, o lançamento conversa diretamente com o verão, quando o Rio se torna ainda mais intenso — para o bem e para o mal.


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Há também uma referência clara que ajuda a entender o espírito da canção. A inspiração declarada vem de “Englishman in New York”, de Sting. A ideia do deslocamento, do olhar de quem veio de fora e acabou ficando. Dora não nasceu carioca, mas vive hoje essa cidade com intimidade, estranhamento e afeto. Tudo misturado.


“Existe algo muito próprio do Rio em olhar para situações difíceis com leveza, ironia e poesia”, comenta a artista. E é exatamente isso que a música entrega. Um retrato emocional do Rio de Janeiro, mais do que geográfico. Um lugar que cansa, desafia, seduz — e que, mesmo assim, dá vontade de continuar.


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“Linda e Perigosa” também marca um ponto de virada estético dentro do álbum Seda de Casulo, que chega nos próximos meses e já conta com as faixas “Mentiras” e “Ter Filhos Fortes” nas plataformas digitais. O disco promete transitar entre força e delicadeza, raiz e contemporaneidade, introspecção e movimento. Sem pressa de se definir. Como a própria cidade que inspira esse novo capítulo.