Jay Horsth estreia com "O Velho", um disco que anda entre cidades, perdas e o que ainda fica
"O Velho" marca a estreia de Jay Horsth em um disco que reúne nove faixas sobre memória, perdas e caminhos.
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| Crédito: Diego André / Divulgação |
Entre São Paulo e Sabará, entre o que já passou e o que insiste em ficar, Jay Horsth apresenta O Velho, seu primeiro álbum em português. O disco chegou às plataformas no dia 27 de janeiro e inaugura o projeto duplo O Velho, O Mar, lançado pelo selo LOCO RECORDS. São nove faixas. Pouco mais de cinco anos de vida condensados ali, sem pressa, sem linha reta.
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O Velho nasce de um período de mudanças contínuas. Fins de relações, mudanças de cidade, a entrada na vida adulta com tudo o que ela carrega. E, no centro de tudo, o luto pela morte da mãe do artista, Mirian Horsth Paes, no final de 2024. Jay não transforma essas experiências em narrativa cronológica. Prefere observar. Reorganizar o passado com alguma distância, tentando entender como seguir depois do impacto.
O início é curto — quase um suspiro — com “Deus É Bom pra Mim”, um trecho de 32 segundos que carrega um áudio gravado no celular com a voz de sua mãe, Mirian Horsth Paes, poucas semanas antes de ela falecer. É logo ali que a gente entende: O Velho olha pra dentro. Observa, revive, pega no estômago.
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Em canções como A Coisa Mais Bonita e Horizontes, o álbum cruza afetos e lugares. Movimento e parada. Volta pra trás e aceitação ao mesmo tempo. A faixa Eu Te Vi Dançar de Novo parece dizer que, mesmo depois de tudo, ainda se pode — e se deve — olhar no olho do outro e bater pé na pista. Ruído, no final, entra como se fosse pensamento arrastado pela madrugada: ideia de futuro, medo do que vem, dúvida que insiste em voltar.
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| Crédito: Diego André / Divulgação |
O Velho funciona como um espelho colocado na parede, junto de uma mala já aberta. Algumas lembranças entram, outras ficam pra depois. Ainda há mais. A segunda parte do projeto, O Mar, anunciada mas ainda sem data, promete estender esse olhar para além do agora, para o horizonte que sempre insiste em aparecer.
O Velho
Jay Horsth
Sem narrativa linear, o trabalho observa o passado com distância e sensibilidade, misturando registros íntimos, memórias familiares e canções que falam de afeto, perda e permanência. Um álbum de escuta atenta, feito mais de perguntas do que de respostas.
℗ 2025 2025 Jay Horsth | LOCO Records

