Capa: Omar Salomão / Pintura de capa: “A Descida do Corcovado ou Ogum” (1972), de Flávio Império.

Em Vera Cruz, Maria Bethânia reafirma por que é uma das maiores intérpretes da música brasileira. A composição de Paulo César Feital e Xande de Pilares ganha contornos ainda mais profundos na voz da cantora, que transforma cada verso em experiência sensorial, espiritual e histórica. É uma canção que ecoa memória, dor, resistência e fé — temas recorrentes na obra de Bethânia, aqui revisitados com maturidade e potência.


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 A interpretação é o grande centro da faixa. Bethânia canta com solenidade e entrega absoluta, respeitando os silêncios, as pausas e o peso simbólico da palavra “Vera Cruz”, que carrega a herança colonial, a violência fundadora do país e, ao mesmo tempo, a possibilidade de redenção. Sua voz surge firme, ritualística, quase como um chamado coletivo, conduzindo o ouvinte por uma travessia emocional intensa.



 A parceria entre Paulo César Feital, letrista de sensibilidade aguda, e Xande de Pilares, que traz sua vivência e força popular, resulta em uma composição rica em imagens e significados. A canção dialoga com o Brasil profundo, misturando crítica, ancestralidade e espiritualidade, sem perder a elegância poética. Na interpretação de Bethânia, esses elementos se ampliam e ganham uma dimensão atemporal.


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“Vera Cruz” é mais do que um single: é um manifesto cantado, que reafirma a música como instrumento de memória e reflexão. Ao gravar essa canção, Maria Bethânia não apenas interpreta — ela consagra. O resultado é uma obra densa, emocionante e necessária, que se impõe com beleza e gravidade no cenário da música brasileira contemporânea.

 Confira o single aqui: