Matheus Gomes Lima transforma o íntimo em canção no sensível álbum Carnaval
Matheus Gomes Lima transforma memórias e afetos em canção no álbum Carnaval, um disco íntimo, maduro e delicado que foge do óbvio.
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| Foto / Divulgação |
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Desde “Marataízes”, faixa que abre o álbum com imagens afetivas e uma melancolia ensolarada, fica claro que Matheus trabalha a canção como espaço de narrativa. As letras são cheias de detalhes, quase cinematográficas, e se apoiam em arranjos que equilibram simplicidade e sofisticação. Há um cuidado evidente com cada verso, cada silêncio.
Em “Quando Eu Envelhecer”, o compositor encara o tempo de frente, sem medo do futuro, mas também sem romantizá-lo demais. Já “Chuva de Verão” e “Será Que Vai Chover?” dialogam entre si ao explorar a imprevisibilidade — do clima e dos sentimentos — com leveza poética e melodias envolventes.
Um dos grandes méritos de Carnaval está na forma como o disco transita por diferentes paisagens emocionais sem perder unidade. “Encruzilhada, Licor e Dente-de-Leão” é um dos momentos mais inventivos do álbum, misturando imagens fortes e uma atmosfera quase onírica. “Pobre em Teresópolis” e “No Turno Noturno” ampliam o olhar social do disco, com empatia e sem panfletarismo, revelando um compositor atento ao mundo ao redor.
A reta final do álbum é especialmente marcante. “Porta da Frente Blues” traz um charme melancólico que dialoga com tradições da canção brasileira e do blues, enquanto “A Casa Sem Você” emociona pela sinceridade e economia de palavras. “Supersônico”, que encerra o disco, funciona como um fechamento sensível e coerente, deixando a sensação de percurso completo.
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Carnaval é um álbum maduro, honesto e cheio de identidade. Matheus Gomes Lima se firma como um compositor que entende a canção como espaço de escuta, reflexão e afeto — um artista que não tem pressa, mas sabe exatamente onde quer chegar. Um disco para ouvir com calma, voltar às faixas e deixar que elas cresçam a cada nova audição.


