Série brasileira Queen Lear encerra 2025 em 3º lugar na Web Series World Cup, supera quase 500 produções internacionais e chama atenção pela inovação.
Créditos: Quentin Lewis / Divulgação

Nem sempre é sobre orçamento. Às vezes, é sobre ideia, insistência e um pouco de ousadia técnica. Queen Lear terminou 2025 provando isso, ao conquistar o 3º lugar na Web Series World Cup, uma das competições mais disputadas do circuito digital independente.


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Foram quase 500 séries inscritas, de 43 países. Gente do mundo todo. E, no meio desse cenário global, uma produção carioca do Canal Demais segurando firme um lugar no pódio.


A série é protagonizada por Claudia Alencar e Mariana Lewis, e parte de uma releitura direta — mas nada comportada — de Rei Lear, de William Shakespeare. Aqui, o poder não é um reino medieval. É o Rio de Janeiro contemporâneo. Uma mulher no comando de uma milícia, um império dividido entre filhas, e o colapso anunciado que vem junto com decisões mal calculadas.


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O que realmente chama atenção, porém, está nos bastidores. Queen Lear foi filmada majoritariamente com um iPhone, toda em chroma key, e finalizada dentro do Unreal Engine. O Rio que aparece na tela é digital, tridimensional, recriado cena a cena — e sem uso de Inteligência Artificial. Uma escolha técnica que abriu portas para planos aéreos, tempestades nas montanhas, helicópteros e sequências que seriam inviáveis para uma produção independente tradicional.


O resultado desse processo não ficou restrito aos festivais. A série está disponível no Amazon Prime Video no Reino Unido e nos Estados Unidos, ampliando ainda mais o alcance internacional do projeto.



Criador e diretor da série, Quentin Lewis define a experiência como algo quase artesanal. Tudo exigia imaginação constante: atores cercados apenas por telas verdes, vento artificial, e a necessidade de acreditar em um mundo que ainda não existia. Segundo ele, esse desafio acabou fortalecendo o envolvimento emocional do elenco.


Créditos: Quentin Lewis / Divulgação

O reconhecimento também consolida um histórico. É o segundo ano consecutivo em que a equipe termina a Web Series World Cup como a produção latino-americana mais bem colocada. Em 2024, a série anterior do grupo, Ivanov, fechou o ano como a melhor do Brasil e da América Latina.


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Para Mariana Lewis, viver Cordélia nesse contexto foi um exercício constante de entrega. Atuar em um espaço vazio, imaginando perseguições, barcos, tiroteios e helicópteros, exigiu mais do que técnica. Exigiu confiança no projeto — e no que ele poderia se tornar depois, na tela.


Enquanto Queen Lear fecha 2025 no pódio, a equipe já olha para frente. A próxima série, Julius Caesar, já está em competição na edição 2026 da Web Series World Cup e garantiu seleção antecipada no Cusco WebFest.


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No fim das contas, o feito é coletivo. Um lembrete de que a produção independente brasileira, quando arrisca, pode ir longe. Muito longe. Mesmo que o Rio ali seja digital.