Raquel Santana estreia com “Canto e Espanto o Teu Quebranto”, álbum visual que mistura cultura popular, poesia negra e manifesto social
Raquel Santana lança Canto e Espanto o Teu Quebranto, álbum e projeto audiovisual que une cultura popular pernambucana, poesia negra e lutas sociais.
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| Foto: Ythalla Maraysa / Divulgação |
Raquel Santana canta para proteger, lembrar e confrontar. A artista pernambucana lançou em 31 de dezembro de 2025 seu primeiro disco, Canto e Espanto o Teu Quebranto, um projeto que une música, poesia e política em um gesto artístico profundamente enraizado no território, na ancestralidade e na experiência coletiva.
O álbum — que também ganha forma como álbum visual — nasce da música “Afoxé contra o quebranto”, faixa que dá o tom espiritual e simbólico da obra. A partir dela, Raquel constrói um trabalho que atravessa a cultura popular pernambucana e nordestina, dialogando com ritmos afro-brasileiros, indígenas e latino-americanos como a cumbia, o afrobeat e o rap.
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Lançado de forma gradual desde maio de 2025, Canto e Espanto o Teu Quebranto chega agora completo às plataformas, reunindo 12 faixas que abordam temas como racismo, machismo, maternidade solo, ancestralidade afroindígena, reforma agrária e pertencimento. Caruaru e o Agreste pernambucano não aparecem apenas como cenário, mas como personagens centrais da narrativa musical.
Raquel Santana, nasceu em Recife e atua na música há 19 anos. Ex-vocalista da banda Casas Populares da BR-232, ela começou a escrever as canções do disco após se tornar mãe, em 2018. Essa experiência atravessa o álbum de forma íntima e política, especialmente em faixas que abordam cuidado, memória e continuidade.
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| Foto: Ythalla Maraysa / Divulgação |
Um dos eixos mais simbólicos do projeto é a musicalização de três poemas de Solano Trindade — Olorum Okê, Maracatu da boneca de cera e Xangô. A escolha surge da atuação da artista no Coletivo A Literatura Também Tem Pele Preta, dedicado à valorização da literatura afro-brasileira. “Foi durante a pandemia, em um curso virtual sobre a obra de Solano, que essas músicas começaram a nascer”, explica Raquel, que define o poeta como “o eterno poeta do povo”.
O disco conta com colaborações de Gabi da Pele Preta, Chris Mendes, Joana Xeba, Bell Puã, MC Caracol, DJ Nino Scratch, Gabriel Bezerra, Rosberg Adonay e o Maracatu Cambinda Nova. A dimensão familiar também atravessa o trabalho: Ranuzia Melo, mãe da cantora, participa de duas faixas, enquanto seus filhos Ginga e Erasto aparecem na música “Quer ficar com mamãe”.
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A produção musical é assinada por Zé Barreto de Assis, de Bezerros, reforçando o compromisso do projeto com profissionais e sonoridades do interior pernambucano.
Das 12 faixas, nove integram o álbum visual, dirigido por Túlio Beat, com roteiro e produção executiva da própria Raquel Santana. As gravações aconteceram em locações simbólicas como o Assentamento Normandia, do MST, e o Sítio Carneirinho, área de pinturas rupestres e fósseis pré-históricos no Agreste. Segundo a artista, a escolha dos espaços reflete tanto a luta dos povos do campo quanto a identidade indígena do território.
O audiovisual conta ainda com fotografia de Felipe Correia, montagem de César Caos, produção de Katarina Machado e Joyce Noelly, figurino e maquiagem de Paulo Conceição e recursos de acessibilidade — audiodescrição e legendas — desenvolvidos pela COM Acessibilidade Comunicacional.
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Canto e Espanto o Teu Quebranto possui incentivo da Fundação de Cultura da Prefeitura de Caruaru, da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Paulo Gustavo. O projeto também ganha vida nos palcos: o primeiro show da circulação está marcado para 27 de março de 2026, no Sesc Caruaru, com passagens previstas por Triunfo (PE) e Juazeiro do Norte (CE).
Mais do que um disco de estreia, Raquel Santana entrega uma obra que transforma canto em proteção, música em memória e arte em posicionamento. Um trabalho que ecoa passado, presente e futuro — sem pedir licença.

