Crítica | Pluribus não explica tudo — e ainda bem
Pluribus, série que aposta no desconforto, nas ideias grandes e na narrativa fragmentada. Um acerto imperfeito, mas provocador.
Pluribus não chega pedindo licença. Ela entra, ocupa espaço, joga perguntas na mesa e segue em frente sem olhar muito pra trás. Nem tudo é explicado. Nem tudo precisa ser. E talvez esse seja o maior mérito da série.
{ads}
A narrativa é quebrada, às vezes até meio torta. Cenas que parecem soltas. Diálogos que não sublinham emoção nenhuma. O espectador precisa trabalhar um pouco — ligar pontos, aceitar silêncios, engolir a estranheza. Não é uma série apressada em agradar. E isso, hoje, já diz bastante coisa.
O tema central gira em torno de identidade coletiva, escolhas individuais e o peso de fazer parte de algo maior. Pluribus fala sobre grupo, sobre pertencimento, mas também sobre o medo de desaparecer dentro dele. Não faz discurso direto. Prefere sugerir. Cutucar. Deixar ecoando.
{getCard} $type={post} $title={Leia Também!}
A série é sóbria. Nada de excesso. A fotografia ajuda a criar um clima meio suspenso, quase frio, que combina com o tom da história. A trilha entra pouco, mas quando aparece, funciona. Não chama atenção pra si — empurra a cena pra frente.
As atuações seguem essa mesma linha contida. Não tem grande explosão dramática toda hora, e isso pode incomodar quem espera impacto fácil. Mas existe consistência. Existe verdade ali. Pequenos gestos, pausas longas, olhares que dizem mais que falas inteiras.
{ads}
Claro, Pluribus tropeça aqui e ali. Alguns episódios poderiam ser mais concisos. Certas ideias são interessantes, mas ficam pela metade. Dá a sensação de que a série confia tanto no mistério que às vezes esquece de entregar um pouco mais de chão pro público.
Mesmo assim, o saldo é claramente positivo. Pluribus não é feita para maratonar no automático. É série de pensar depois do episódio acabar. De conversar sobre. De discordar.
