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Marina Lima lança Ópera Grunkie, álbum que celebra seus 70 anos com participações especiais
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| Foto por André Hawk @andrehawk / Divulgação |
Marina Lima abriu um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de Ópera Grunkie, 18º álbum de estúdio da carreira. O trabalho chegou às plataformas em 24 de março e integra a celebração pelos 70 anos da artista, que também prepara uma turnê comemorativa e outros projetos especiais ao longo de 2026. Com estrutura dividida em três atos, o disco transforma luto, afeto, liberdade e reinvenção em uma obra conceitual que reafirma a força criativa de uma das vozes mais singulares da música brasileira.
Produzido por Marina Lima, com coprodução de Arthur Kunz, Edu Martins e Thiago Vivas, o álbum apresenta uma construção sonora sofisticada, atravessada por colagens, sintetizadores, poesia falada, canções confessionais e experimentações pop. A identidade visual do projeto também acompanha essa proposta artística, com capa e contracapa assinadas em colagem por Natália Lage e arte final de Maria Valiante.
Entre os destaques de Ópera Grunkie estão as participações de Adriana Calcanhotto em “Chega pra mim”, Ana Frango Elétrico em “Um dia na vida” e Laura Diaz, da Teto Preto, em “Collab Grunkie”. A faixa colaborativa nasceu a partir de uma convocatória online feita por Marina, que selecionou o trabalho de Eraldo Palmero entre mais de 800 materiais enviados por fãs. A música ainda chama atenção pela presença vocal creditada de nomes como Fernanda Montenegro, Mano Brown e Joyce Pascowitch, ampliando o espírito coletivo que atravessa o disco.
O universo do álbum gira em torno da ideia dos “grunkies”, expressão adotada por Marina para definir sua tribo afetiva e criativa. O termo ganhou força no documentário Uma Garota Chamada Marina, lançado em 2019, e volta agora como conceito central de um projeto que celebra pessoas livres, talentosas, inteligentes e corajosas. Esse sentimento aparece tanto no tom íntimo das composições quanto na abertura para encontros improváveis, vozes diversas e referências que atravessam gerações.
Há também uma dimensão profundamente emocional no repertório. Faixas como “Grief-stricken”, “Perda” e “Meu Poeta” dialogam diretamente com a ausência de Antonio Cicero, irmão de Marina, e colocam a dor e a memória no centro da narrativa do disco. Em “Perda”, a artista reúne o filósofo e professor Fernando Muniz e os acadêmicos da Academia Brasileira de Letras Antônio Carlos Secchin e Eduardo Giannetti em uma composição que incorpora versos de Cicero e dá ao álbum um dos seus momentos mais tocantes.
Ao mesmo tempo, Ópera Grunkie não se fecha apenas na contemplação. Músicas como “Samba pra diversidade”, “Olívia” e “Só que não” mostram uma Marina inquieta, irônica, política e aberta ao jogo da invenção. O resultado é um trabalho que alterna delicadeza e ousadia com naturalidade, costurando emoção, humor, comentário social e desejo de movimento em uma obra que soa viva do início ao fim.
O lançamento de Ópera Grunkie será levado aos palcos na turnê “Marina Lima 70”, que começou por Porto Alegre em 28 de março, passa pelo Rio de Janeiro em 25 de abril, na Fundição Progresso, e chega a São Paulo nos dias 8 e 9 de maio, na Casa Natura Musical. Mais do que um disco comemorativo, o novo projeto reafirma Marina Lima como uma artista que segue em transformação, sem nostalgia fácil e com apetite real para criar algo novo.
No repertório, o álbum traz as faixas “Abertura”, “Partiu”, “Grief-stricken”, “Perda”, “Meu Poeta”, “Um dia na vida”, “Samba pra diversidade”, “Olívia”, “Collab Grunkie”, “Só que não”, “Chega pra mim” e “Finale (Brahma Chopin)”, costurando uma jornada que mistura manifesto íntimo, experimentação sonora e celebração de trajetória.

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